terça-feira, 6 de agosto de 2013

OPERAÇÃO DA PF PRENDE, EM NATAL, PMs E CIVIS ACUSADOS DE EXTERMÍNIO.

A Polícia Federal (PF) do Rio Grande do Norte prendeu, na madrugada desta terça-feira, cinco policiais militares e 12 civis acusados de pertencerem a um grupo de extermínio que atuava no estado e ameaçava de morte uma delegada da Polícia Civil, um promotor de Justiça e um agente da PF. A operação foi denominada Hecatombe, em uma referência às mortes coletivas de muitas das vítimas. As ameaças foram confirmadas pelo delegado Alexandre Ramagem, da Divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal, durante entrevista coletiva dada na manhã desta terça, na sede da PF, em Natal. Segundo a PF, o grupo é responsável por, pelo menos, 22 homicídios no Rio Grande do Norte, com características de execução encomendada.
— É um grupo de alta periculosidade. Eles chegaram a produzir coletes e distintivos da Polícia Federal. Se passaram por policiais para executar vítimas — comentou Ramagem.
A operação Hecatombe foi realizada em Natal e nos municípios de São Gonçalo do Amarante e Parnamirim, na região Metropolitana, e em Cerro Corá, a 150 km da capital. E contou com a participação de 30 policiais do Comando de Operações Táticas Especializado em Operações de Alto Risco, de Brasília. Dos 21 mandados de prisão, 17 foram cumpridos nesta terça. Outras quatro pessoas são consideradas foragidas, duas delas são PMs. De acordo com informações da PF, os integrantes da quadrilha cobravam, em média, entre R$ 500 e R$ 50 mil para matar as pessoas. Segundo Ramagem, também houve mortes sem relação alguma com execuções contratadas.
— Houve um caso em que uma morte se deu por um motivo mais que banal. Um dos presos executou uma pessoa apenas para estrear uma pistola que havia comprado — relatou o delegado.
Apontado como chefe do grupo de extermínio, o soldado da Polícia Militar (PM) Wendel Fagner Cortez — preso em abril deste ano pela própria PM, segundo a PF — deveria ter sido resgatado pelo grupo em uma invasão ao quartel do batalhão de Operações Especiais (BOPE), na Zona Norte de Natal. No entanto, a operação acabou não acontecendo.
No dia 19 de abril deste ano, a PM e a Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor), da Polícia Civil, realizaram uma operação, denominada “Força Tarefa”, para prender policiais militares suspeitos de participação em crimes de homicídio. Na época, além de Wendel, também foi preso o soldado Rosivaldo Azevedo, este mais tarde liberado por uma decisão judicial.
Alguns dos investigados apresentam antecedentes por homicídio. Um dos integrantes do grupo já foi preso em posse de diversas armas de fogo, supostamente utilizadas nos assassinatos, informou a PF. De acordo com a PF, a quadrilha tinha geralmente três chefes, mas havia mudanças por motivos de desavenças entre os líderes.
— Eles escolhiam quem seria o executor ou quem levantaria informações sobre a vítima, entre outras coisas — explicou o delegado da PF.
As investigações da polícia indicam que algumas vítimas do grupo seriam também PMs. E as execuções também poderiam ser motivadas por desavença, queima de arquivo com a eliminação das testemunhas dos crimes praticados e disputa por pontos de tráfico de drogas.
— Eles demonstravam total desapego à vida. Começaram por motivos financeiros, mas o caminho levou à banalização da vida — disse o delegado.
A PF começou a investigar o grupo há um ano, por solicitação do Centro de Inteligência da Secretaria Estadual de Segurança e Defesa Social. O Ministério Público do Rio Grande do Norte também auxiliou nos trabalhos. Segundo o secretário de Segurança Pública, Aldar da Rocha, esse tipo de crime está se tornando muito comum no estado e precisa ser combatido para dar tranquilidade e segurança à população. Os presos responderão por crimes de homicídio qualificado e constituição de grupo de extermínio, cujas penas máximas para os principais integrantes da quadrilha podem chegar a 395 anos de prisão. O comando-geral da PM do Rio Grande do Norte afirmou que PMs comprovadamente envolvidos no crime serão expulsos da corporação.

Fonte: O Globo/Extra

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