quarta-feira, 24 de julho de 2013

DELEGACIAS DE NATAL ESTÃO SUCATEADAS




Além da falta de efetivo, a segurança pública do Rio Grande do Norte sofre também com o sucateamento das delegacias. A reforma nos prédios seria um dos benefícios dos recursos de R$ 2 milhões que voltaram ao Governo Federal porque o prazo de execução expirou. A expectativa agora, segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Ricardo Sérgio, é de que parte dos 540 milhões de dólares, fruto do convênio firmado com o Banco Mundial, seja utilizada para a recuperação das DPs.


A TRIBUNA DO NORTE visitou três dessas estruturas, sendo uma na zona Norte, uma na Leste e uma na Sul de Natal, onde funcionam duas Delegacias Especializadas. Nos três lugares, o cenário é de deteriorações, mofo e equipamentos velhos.

Às vésperas de receber a Copa do Mundo, a Delegacia Especializada de Atendimento ao Turista, em Ponta Negra, não tem as mínimas condições para sequer registrar um Boletim de Ocorrência. De cara, a entrada da DP é um desafio para deficientes físicos. A única forma de entrar no prédio localizado nos fundos do Praia Shopping é subindo uma escada, passando por encanações que disputam lugar na parede. Dentro da Especializada, parte do teto desabou deixando o arquivo da delegacia exposto à chuva. Uma das salas foi desativada por impossibilidade de trabalho, em virtude dos desabamentos. Os agentes, que preferiram não se identificar, contaram que a sala da chefia de investigação tem um cheiro insuportável de mofo. Odor que foi, inclusive, constatado pela reportagem. “Há dias em que o pessoal vem trabalhar com máscaras”, relatou um policial.

É neste mesmo prédio onde funciona também a única Delegacia Especializada de Meio Ambiente do Estado. Os problemas são os mesmos. Infiltrações colaboram para o aumento do desgaste do teto, que pode ceder a qualquer momento. Um dos agentes que trabalhava no momento em que foi abordado pela TN relatou que o computador que estava sendo usado para o serviço era dele. O servidor levou o equipamento para o trabalho para tentar agilizar o serviço, por conta da falta de PCs. Além disso, o homem também revelou que a única viatura da DP de Meio Ambiente foi levada há uma semana para a manutenção, de onde ainda não voltou. Neste meio tempo, 17 inquéritos permanecem parados, aguardando o retorno do veículo.

Saindo da zona Sul e seguindo até o bairro das Quintas, mais precisamente da avenida Mário Negócio, zona Leste, os agentes da 7ª Delegacia de Polícia passam por dificuldades semelhantes. De cara, a fachada da distrital denota a precariedade. Suja e com a pintura desgastada, a delegacia quase não é notada por quem passa. No piso de entrada tem uma rachadura que atravessa de um lado a outro a porta. Dentro, o mofo e o reboco mal feito também são vistos em todos os compartimentos. Os policiais, que também preferiram resguardar a identidade, contaram que antigamente havia um dormitório, mas agora o cômodo serve como depósito de entulho, assim como a antiga carceragem. “Nós escutamos histórias de que vão mudar a DP de prédio, mas, até agora, nada”, reclamou um dos agentes.

Na Redinha Nova, litoral Norte, o primeiro empecilho que dificulta a vida de quem precisa dos serviços da delegacia local é a rua onde ela está localizada. A rua Araguaia é de barro e comumente alaga com as chuvas. A 13ª DP fica numa casa de veraneio improvisada de delegacia. Não há qualquer identificação e o terreno onde está o imóvel foi tomado pelo mato. Um dos nove policiais lotados na DP revelou que quatro homens do efetivo se revesam para tomar conta do prédio durante as noites, dentre eles um guarda patrimonial, e os demais se viram com o expediente. A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) foi procurada para dar detalhes dos investimentos nas recuperações, mas não deu resposta. A assessoria de imprensa da pasta informou que o secretário Aldair da Rocha não pôde atender os telefonemas, pois estava em uma reunião com a governadora.
TRIBUNA DO NORTE


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