terça-feira, 20 de novembro de 2012


Policiais promovem ato em defesa da categoria em Natal


Presidente da ACSPM/RN, o soldado PM Roberto Campos, alerta sobre a crescente violência que vêm sofrendo os policiais potiguares (Paulo de Sousa/DN/D.A.Press)
Presidente da ACSPM/RN, o soldado PM Roberto Campos, alerta sobre a crescente violência que vêm sofrendo os policiais potiguares
 
Chamando a atenção da sociedade potiguar para a crescente violência contra policiais que vêm ocorrendo nos últimos meses no Rio Grande do Norte, sobretudo na Grande Natal, associações representativas dos praças (soldados, cabos, sargentos e subtenentes) da Polícia Militar promoveram um ato no cruzamento das avenidas Salgado Filho e Bernardo Vieira na manhã desta terça-feira (20).

Segundo o soldado Roberto Campos, presidente da Associação dos Cabos e Soldados da PM no RN (ACSPM/RN), somente este ano foram mortos nove policiais e 11 foram feridos em atentados contra a própria vida. "E a grande maioria desses casos ocorreram nos últimos três meses".

Para Roberto Campos, esse nível de violência que vem sofrendo o policial potiguar é apenas reflexo dos ataques que vem sofrendo a categoria em São Paulo e em outros estados brasileiros. "Não que aqui esses atentados estejam partindo de facções criminosas como acontece no Sul, mas é, no mínimo, um reflexo. O presidente da ACSPM/RN atribui essa onda de violência principalmente à impunidade dos casos.

"Precisamos urgentemente de uma legislação mais severa contra aqueles que praticam atos de violência contra policiais", adverte Roberto Campos.

O cabo PM Jeoás Nascimento, vice-presidente da Anaspra, diz que leis mais rigorosas para os que praticam violência contra policiais estão em discussão no Congresso Nacional (Paulo de Sousa/DN/D.A.Press)
O cabo PM Jeoás Nascimento, vice-presidente da Anaspra, diz que leis mais rigorosas para os que praticam violência contra policiais estão em discussão no Congresso Nacional
É esse debate que a Associação Nacional dos Praças (Anaspra) tem tentado levar ao Congresso Nacional, afirma o vice-presidente da entidade, o cabo PM potiguar Jeoás Nascimento. "Há um projeto de Lei circulando no Congresso que aumenta em 1/3 a pena contra criminosos que praticam violência contra policiais. Queremos, porém, que a pena venha a ser o dobro.

Jeoás Nascimento lembra que toda a categoria, a nível nacional, tem trabalhado num clima de tensão devido aos últimos atos de violência sofridos por políciais em vários estados. "Temos registrado este ano a morte de 98 policiais em São Paulo, 48 no Pará, 27 na Bahia. Temos então de alerta a população que quando um de nós é assassinado, o Estado é afrontado e a própria sociedade é afetada com essa violência. Vejo muitos por aí dizerem: se o própio policial está morrendo para a bandidagem, quem dirá o cidadão comum".

O cabo PM informa ainda que o ato promovido nesta manhã em Natal faz parte de uma agenda nacional de mobilizações. A capital potiguar é a segunda cidade em todo o Brasil a ter esse tipo de ação. As próximas acontecerão no dia 23 deste mês, no Maranhão, e outra no próximo dia 25, no Rio de Janeiro.

Marcos Dionísio, presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, diz que violência contra policiais no RN é proporcionalmente maior que a sofrida pela categoria em SP (Paulo de Sousa/DN/D.A.Press)
Marcos Dionísio, presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, diz que violência contra policiais no RN é proporcionalmente maior que a sofrida pela categoria em SP
O cabo Jeoás destaca ainda que um dos grandes problemas da PM potiguar é o baixo efetivo da força policial. "Há cidades no interior do estado que conta com dois policiais de serviço por dia, deixando não só a população como também o servidor vulnerável a ações dos criminosos".

É para esse ponto que o presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Marcos Dionísio, chama a atenção. "Proporcionalmente, a violência que vem sofrendo o policial potiguar é maior do que está acontecendo em São Paulo, uma vez que lá o efetivo é de 200 mil e aqui apenas 9 mil". Para ele, a sociedade potiguar tem de despertar para o fato de o policial também necessitar de Direitos Humanos.

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