quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

“ME SENTI VIOLADA, UM LIXO”, DIZ ESCRIVÃ QUE FOI OBRIGADA A FICAR NUA EM REVISTA POLICIAL

A escrivã de polícia que foi despida à força em uma revista feita por delegados da Corregedoria da Polícia Civil disse ter se sentido “violada” como mulher. A policial, que não quis se identificar, afirmou que ficou nua em frente de cerca de seis homens e duas mulheres “totalmente estranhos”. O caso aconteceu em 2009, na zona sul de São Paulo, e um vídeo com as imagens do abuso foi divulgado na internet na última semana.

- Eu pedi ajuda, mas alguns minutos antes de tirarem a minha roupa, aquele delegado [que aparece no vídeo] tirou o meu delegado da sala. Como profissional, me senti desrespeitada pelos próprios colegas. Como mulher me senti violada, um lixo.

A vítima resistiu em tirar a roupa na frente de policiais homens e o delegado responsável teria dito que chamaria agentes femininas, mas que teria que acompanhar a revista. A acusada negou-se e acabou sendo revistada à força por policiais homens, que descobriram R$ 200 na calcinha dela.

Ela contou que tudo aconteceu dentro do distrito onde trabalhava, em Parelheiros, e que as agressões continuaram depois da revista.

- Me deram um mata-leão e me arrastaram algemada para dentro de uma viatura.

A escrivã disse ainda não ter ideia de quem divulgou as imagens na internet e afirma esperar por justiça.

O secretário de Segurança Pública determinou a saída dos delegados Eduardo Henrique de Carvalho Filho e Gustavo Henrique Gonçalves, envolvidos na operação, e o Ministério Público de São Paulo apura a ocorrência de abuso por parte dos policiais.
 
 
EM DEPOIMENTOS, OS DELEGADOS DERAM VERSÕES DIFERENTES

Para o delegado Eduardo Henrique de Carvalho Filho, a revista foi feita por uma policial militar feminina. Ele não menciona a própria participação. Já para o delegado Gustavo Henrique Gonçalves, a acusada não admitia ser revistada. A busca foi feita por policiais femininas por dentro de sua calça. Houve necessidade de algemar a escrivã, que tentava impedir a revista.

Já o investigador Daniel de Rezende Baldi, que gravou as imagens exibidas em primeira mão pela Band, afirma que não presenciou qualquer tipo de agressão. Outro investigador, que estava na sala, Guilherme Amado Nóbile, disse que a minuciosa revista pela parte interna das vestes foi feita por uma policial militar feminina.

Em depoimentos, os policiais deram versões diferentes daquela mostrada pelos vídeos. A escrivã não se recusa a ser revistada, e pede, nada menos do que 20 vezes, que a busca seja feita por uma mulher.

Sem que tenha agredido ninguém, ela foi algemada e teve a calça e a calcinha arrancadas por três pessoas. Entre elas, o delegado Eduardo Henrique.

Em 2009, o secretário de segurança pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, tomou conhecimento do vídeo da Corregedoria, e só abriu processo administrativo contra os policiais, após ser provocado pelo Ministério Público. Meses depois, a sindicância foi arquivada com o aval do próprio secretário.

A escrivã, que foi expulsa da polícia, ainda responde a processo por corrupção.

Fonte: BAND

Um comentário:

  1. Era 2009, já faz três anos, quando ocorreu o fato
    Mais um abuso de poder de quem anda fardado
    Novamente a internet deu luz aos acontecimentos
    Um vídeo divulga a conduta de quatro elementos

    Delegados, grandes autoridades, vale a pena lembrar
    Suspeitaram de uma colega, escrivã, do mesmo lugar
    Que estaria beneficiando suspeito e cobrando propina
    Duzentos reais na mão e o réu escaparia da guilhotina

    Para confirmar o que se achava, precisava ser revistada
    Estudante de direito que era: “eles não podem fazer nada”
    Homens revistarem mulheres, não se deve, é ilegal
    Sim, realmente havia mulher, mas muito mais policial

    Algemada foi revistada à força, gritos em vão
    Nua da cintura pra baixo, vários homens no salão
    De fato o vídeo mostra dinheiro, prisão em flagrante
    Culpada ou não, nem importa: situação degradante

    Para a diretora da corregedoria, tudo normal, mesmice
    “agiram dentro do poder de polícia” convicta, ela disse
    Foi afastada do cargo corretamente: situação insustentável
    Descumprimento de quem cobra a lei. Aqui, bem provável

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