quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

CULTURA – Encontro com à natureza.

JOÃO AGOSTINHO DO NASCIMENTO é um dos puros representantes da poesia popular nordestina, do estilo cordeliano tão difundido e apreciado pelos nossos sertões. Popularmente cognominado João Grande, é Norteriograndense de Rafael Fernandes, nasceu no sitio Malhada Alta no dia 24 de novembro de 1933, filho de Agostinho Ventura da Silva e de Joaquina Maria da Conceição, tendo 07 filhos deste matrimônio. É descendente da tradicional família Carneiro Nascimento, uma das primeiras a povoarem o nosso município. Casou-se em 20 de dezembro de 1960 com Cleuza Augusta do Nascimento formando uma família que se constituiu em 06 filhos. Dedicou-se a agricultura, um trabalho árduo e sacrificante do nosso sertão nordestino.

Durante a sua história também prestou relevantes serviços de escriturário da Câmara Municipal de Rafael Fernandes/RN, pelo período de 30 anos. Desde a sua infância o poeta João Agostinho sonhou com a beleza da natureza retratada em versos, admirando a literatura de cordel, dando-lhe seu merecido valor e escrevendo no mais íntimo do seu ser as maravilhas e belezas que Deus nos deixou.

Lançou em março de 2008 o livro intitulado “Encontro com a natureza”, nesta obra o poeta retrata a realidade do nosso dia-a-dia, martírios do homem da roça enfrentando a seca que castiga e mata, deixando suas vidas marcadas pela resistência do ser, lapidadas pela mãe natureza. João Agostinho é católico e um grande incentivador da Comunidade de Malhada Alta, tendo, inclusive, doado o terreno para a construção, no ano de 1999, da Capela de Santo Agostinho.

Sem dúvida alguma João Agostinho do Nascimento vem ser, juntamente com Inocêncio Alves da Costa, vulgo Inocêncio Gato, um dos mais conceituados poetas rafaelenses, sendo referência para outros poetas da nossa cidade, a exemplo de Damião Metamorfose, J Neto e Maria Lucicleide.

A seguir alguns versos retirados do Livro “Encontro com a natureza”.


CHEIRO DE TERRA MOLHADA
DÁ PRAZER PRA O SERTANEJO

Voltou chover no sertão
E o camponês se alegrou
E a passarada cantou
Uma bonita canção
Ouvi a voz do trovão
Senti da brisa o bafejo
Olhando para terra eu vejo
A face dela ensopada
Cheiro de terra molhada
Dá prazer para sertanejo

Quando a chuva cai no chão
Molha a terra ressequida
Aquela babugem nascida
Vem caule folha e botão
Tem rama pra criação
Aumenta a qualhada e queijo
E a seca vira sobejo
Pra ninguém não falta nada
Cheiro de terra molhada
Dá prazer pra o sertanejo

SOBRE O HOMEM DA ROÇA

No roceiro sofredor
Mãos calejadas se ver
Planta, limpa, colhe e vende
E a Deus vai agradecer
Rua só tem inflação
Da roça é que sai o pão
Pra humanidade comer

VOU FAZER O ENTERRO DA ENXADA
DOU A DEUS PRA O ROÇADO E NUNCA MAIS

No sertão eu nasci e me criei
Trabalhando na rude agricultura
Os seus frutos suados têm doçura
Foi no cabo da enxada que puxei
Lá na roça bons frutos eu semeei
Contemplando as belezas naturais
Eu juntei da enxada os funerais
Já velhinha, rombuda, enferrujada
Vou fazer o enterro da enxada
Dou adeus ao roçado e nunca mais

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