domingo, 29 de agosto de 2010

A VIDA E A GRAMÁTICA



Caros amigos leitores e visitantes desse blog há muito tempo fui convidado para colaborar com esse espaço no intuito de, a partir da escrita, poder contribuir propondo algumas reflexões, não tidas aqui como verdades absolutas, mas como pontos de discussão que possam, entre divergências e convergências, construir experiências de vida acreditando sempre no valor do diálogo e do respeito às diferentes opiniões.

Assim, aceitei tal convite e começo esse desafio da escrita estabelecendo uma relação, talvez não muito tranquila, entre nossa vida e sua “gramática”. Trata-se de uma relação que acontece de forma cotidiana, nunca com ponto final, mas com reticências e, em muitos casos, colocando-nos entre pausas e vírgulas.

Para essa árdua missão convido a você leitor (internauta) a somar na descoberta do que possa estar nas entrelinhas do que aqui escrevo, pois ao tentar fugir das armadilhas das letras, das palavras, muitas vezes acabo por elas apreendido. Deste modo, quero aqui contar com você leitor, com sua capacidade de me compreender além das letras. Posso contar? Então vamos nessa?!!

Em nossa vida cedo somos levados para um lugar, um espaço que na boca de muitos “é onde está o nosso futuro”. Esse lugar é a escola. Passamos quase uma vida toda na incumbência de aprendermos coisas necessárias à nossa vida. Lá, na escola nos deparamos com todo tipo de sentimento que vem com as lições que nos são ensinadas: medo, inseguranças, alegrias, potencialidades, coragem, enfim, uma série de antíteses sentimentais que nos constitui como sujeito além de nós mesmos. Tudo isso vem organizado em disciplinas a nos disciplinar: português, matemática, ciências, história, geografia etc.

Assim, motivados pelas necessidades do viver, conseguimos, mesmo sem conhecer muito as teorias, usar tais conhecimentos de forma interdisciplinar. Afinal, o eixo que articula tais conhecimentos é a própria vida. Deste modo, caro leitor (internauta), foi pensando nessa articulação da escola, ou melhor, das disciplinas da escola com a vida, que hoje, instigado por fatos ocorridos recentemente, e ai prefiro ocultá-los para que você possa exercer de maneira crítica a sua atividade de leitura, busco traçar um percurso interdisciplinar, principalmente entre a História e a Língua portuguesa.

Neste sentido amigo leitor (internauta), procurei, considerando alguns conhecimentos de minha vida escolar, indagar sobre a gramática que compõe a nossa vida, ou melhor, da gramática da vida prescrita pelos contextos de produção da comunidade onde vivo. Isso porque somos seres sociais e nossa gramática se constitui pelas normas dos acontecimentos.

Assim sendo, e falando do lugar que ocupo socialmente, me deixo, pelo papel da vida, guiar-me por uma importante interrogação: como aplicar uma gramática da vida?

Como estudante, busquei entre os recursos disponíveis no construto da aprendizagem, algumas outras vozes que pudessem somar com a minha no tocante a essa reflexão. Não demorou muito e logo percebi um ecoar de uma outra voz, anônima, e que coloca a vida como sujeito de uma oração sempre com predicados. Diz então a voz de um texto outro:

Gramática da vida.

A vida é feita para ser vivida.

Ponto.

Mas para vivê-la são necessários dois pontos:

- Descansar nas vírgulas,

- ponderar quando se lhe junta um ponto;

- cismar nas reticências...

A gramática da vida está repleta de reticências...

São - O suspense, o sonho da vida!

O sonho suspenso até se sonhar de novo!

A vida, uma gramática aplicada a vivê-la,

Onde não se aprende realmente na teoria, por pena,

Para nosso azar, por vezes, é mesmo na prática,

Com frequência obrigatória e nota definitiva...

A gramática da vida se aplica, então, a uma prática constante que nos coloca frente à história de nós mesmos, à história de nossa comunidade. E nesse trilhar da história que compõem nossa cidade, me comporto então como os advérbios de adversidade, pois, entre decepções, nascem sempre novas esperanças. É preciso acreditar!

E falando nisso, amigo leitor, como será que se conjuga o verbo acreditar de acordo com a gramática da vida de nossa comunidade?

Sei que, de acordo com gramática de minha língua, pelas aulas que tive, há algumas combinações de modos e tempos verbais possíveis, porém, com base na gramática da vida, no enredo da história do hoje, só consigo recordar o imperfeito do Indicativo do verbo acreditar:

eu acreditava

tu acreditavas

ele acreditava

nós acreditávamos

vós acreditáveis

eles acreditavam

Como é difícil a gramática da vida... Mas quem sabe, pelo percurso sempre dinâmico da história possa eu recuperar outro tempo e modo de conjugação desse verbo tão transitivo indireto, pois o verbo ACREDITAR é um daqueles que pede um COMPLEMENTO, ou seja, precisa sempre de algo mais.

Com isso, e pra finalizar, se existisse então uma “matemática” para esse verbo, pelo complemento que ele exige, essa matemática seria então uma matemática de SOMA e não de SUBTRAÇÃO.



Gevildo Viana

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