quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dilma Rousseff visita Sarkozy

Paris (AE) - Sem os privilégios especiais, reservados aos chefes de Estado e de governo, a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, encontrou-se na tarde de ontem, em Paris, com o presidente da França, Nicolas Sarkozy. No encontro, que teve cerca de 25 minutos de duração, ambos teriam discutido temas como crise econômica, meio ambiente e comércio, sem tocar na compra dos aviões de caça Rafale, avaliada em R$ 12 bilhões. Junto da candidata, estava o embaixador do Brasil em Paris, José Maurício Bustani. O cinegrafista contratado para acompanhar os passos da petista em sua turnê de cinco dias pela Europa não pôde acompanhar o encontro.

Às 17h (horário local), Dilma reuniu-se com Sarkozy no Palácio do Eliseu. A petista chegou em carro oficial da embaixada, acompanhada pelo embaixador Bustani, e foi recebida pelo ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, e não pelo presidente - que pelo protocolo só vai à porta frontal do palácio para recebe chefes de Estado e de governo.

Sarkozy não se pronunciou ao fim do encontro, que teve cerca de 25 minutos de duração, limitando-se a posar para fotografias e abanar para a imprensa. Tampouco o Palácio do Eliseu divulgou nota sobre o conteúdo das discussões. Segundo relato da petista, ambos conversaram sobre os interesses comerciais entre os dois países, a ação conjunta no G-20, sobre meio ambiente e sobre a Parceria Estratégica Brasil-França. “Falamos sobretudo sobre o interesse da França pelo Brasil e também do Brasil pela França, já que a relação comercial entre os dois países é muito grande, com investimentos recíprocos”, afirmou.

Sobre o interesse da França em vender os caças Rafale ao Brasil, Dilma assegurou: “Não, este assunto não foi tratado”. Questionada se, caso eleita, teria a mesma preferência já manifestada por Lula pelas aeronaves francesas, a petista, já de saída, negou. “Não, não tenho nenhuma preferência.”

Serra cria conselho político com líderes de partidos aliados

Brasília (AE) - Com fama e prática de autossuficiente, José Serra (PSDB) autorizou a criação de um conselho político para definir estratégias e traçar os rumos da campanha dele à Presidência da República. A criação do grupo estava planejada desde o início da pré-campanha, mas será colocada em prática neste momento para tentar aplacar o melindre de aliados, que se sentem alijados da coordenação da campanha.

Batizado de Conselho Superior da Campanha, o grupo será formado por caciques dos partidos aliados. São eles os presidentes nacionais dos partidos - Sérgio Guerra (PSDB), Rodrigo Maia (DEM), Roberto Freire (PPS), Roberto Jefferson (PTB), e Vítor Nósseis (PSC). Os presidentes de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, e do DEM, Jorge Bornhausen, terão cadeira cativa no grupo. Completam o time o ex-presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, como representante dos governadores.

O conselho se reunirá em São Paulo ou em Brasília pelo menos uma vez por mês. Reuniões extraordinárias poderão ser convocadas sempre que surgir um fato relevante, explica Sérgio Guerra. A data do primeiro encontro ainda não está acertada porque nem todos os membros foram convidados. Mas, segundo o presidente tucano, deve ocorrer nos próximos dez dias.

Os conselheiros deverão mapear erros e acertos, analisar pesquisas, identificar pontos fracos do candidato e sugerir medidas para alavancar a campanha em regiões onde a candidatura patina. A função do conselho, segundo Sérgio Guerra, será a de “pensar a campanha” e propor soluções. Mas não caberá a eles sair em campo para colocar as decisões em prática.

Na avaliação do presidente do PPS, Roberto Freire, a criação do conselho será importante para organizar e afinar o discurso dos aliados. Freire, nega, porém, sentir-se escanteado na coordenação da campanha, como tem reclamado lideranças regionais.

Marina afirma que Dilma e Serra ‘são muito parecidos’

São Paulo (AE) - Em mais uma tentativa de se diferenciar de seus oponentes, a senadora Marina Silva (AC), candidata do PV à Presidência da República, disse ontem não ser oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem continuidade do governo e se colocou como sua sucessora. “Lula não precisa de quem faça oposição por oposição, sem reconhecer os ganhos, nem de um continuador que acha que está tudo bem e que é só continuar acelerando na mesma direção. Ele precisa de um sucessor que seja capaz de integrar as conquistas e agregar uma nova direção”, afirmou em sabatina promovida pelo jornal “Folha de S.Paulo”. “Me coloco como sucessora de Lula”, afirmou. Para Marina, há poucas diferenças entre os candidatos do PT, Dilma Rousseff, e do PSDB, José Serra.

Num elogio ao presidente, Marina disse que o próprio Lula se comportou como sucessor de Fernando Henrique Cardoso. “Ele sucedeu ao presidente FHC e foi capaz de manter as conquistas do Plano Real, mas agregou conquistas em políticas sociais. Se ele fosse apenas um continuador, talvez fosse pelo mesmo caminho da estabilidade, sem distribuição de renda”, disse

A senadora reiterou que tanto Dilma Rousseff como José Serra, “são muito parecidos”, com a mesma visão de desenvolvimento econômico sem bases sustentáveis. “Exatamente por não ter sido capaz de superar todas as dificuldades que o Brasil tem é que Lula não precisa apenas de um continuador, mas de um sucessor”, disse. À vontade durante a sabatina, em que foi questionada por jornalistas e espectadores, a senadora contou aspectos já conhecidos de sua biografia, como a alfabetização aos 16 anos, as dificuldades do primeiro parto e a peregrinação por hospitais durante sua juventude. Mas disse estar apta fisicamente para governar: “Estou muito bem há anos.”

Marina evitou classificar o reajuste de 7,7% dos aposentados como “eleitoreiro”, dizendo que é justo que eles tenham esse reforço no orçamento. Segundo ela, o que deveria mudar é a forma de repor as perdas da classe

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