quarta-feira, 26 de maio de 2010

Temer encerra reunião sobre piso de policiais após deputado usar o Twitter para comentar o andamento da negociação.



O presidente da Câmara, Michel Temer, anunciou nesta terça-feira, após a reunião de líderes, a criação de comissão especial formada por seis integrantes – três indicados pela liderança do governo e três pela liderança da Minoria - com o objetivo de encontrar um texto consensual para colocar em votação a PEC 300/08, que trata da remuneração dos policiais militares. A proposta já foi aprovada em primeiro turno.

A comissão, apesar de ter esse objetivo, poderá analisar outras PECs como a 308/04, que cria a Polícia Penal, e a 549/06, das carreiras policiais. A intenção é resolver as pendências relativas à área de segurança. Ainda que a composição da comissão tenha sido estabelecida em seis parlamentares, Temer informou que todas as lideranças partidárias interessadas no assunto poderão participar.

Irritação

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), bastante irritado, encerrou a reunião de líderes que tentava encontrar uma solução de votação da emenda constitucional que fixa do piso salarial dos policiais militares (PEC 300). O motivo: o deputado Capitão Assumção (PSB-ES), que participava da reunião, estava usando o Twitter. Ao receber uma cópia dos posts, Temer viu que um deles dizia textualmente: "temer, sepultando a PEC, quer criar 1 comissão.", numa referência à proposta do presidente de criar uma comissão para tentar encontrar uma fórmula que permita finalizar a votação da PEC 300.

Irritado com o que leu, Temer pediu a palavra para criticar a atitude do deputado. Segundo líderes presentes à reunião, não eram apenas relatos da reunião, mas comentários que distorciam o que estava sendo discutido. Nos posts, Assumção faz comentários sobre o que estava defendendo cada um dos líderes que se pronunciavam sobre o tema.

- Foi um exercício da falta de educação. Ele usou o twitter para passar informações distorcidas aos policiais, usou termos inadequados. O problema não foi twittar, mas distorcer o que ocorria na reunião - comentou o líder do PSDB, João Almeida (BA).

Capitão Assumção disse que adotou como tática postar informações quando percebeu que " estavam procrastinando para finalizar " a votação. Assumção disse não temer que sua atitude resulte na cassação de seu mandato por quebra de decoro.

- Passei 25 anos de minha vida nas ruas, em rádio-patrulhas. Vou me preocupar com isso? É uma forma democrática de expressar meu pensamento e defender minha categoria. Eu disse na reunião: se eu não puder expressar meu pensamento, é melhor nem estar aqui (na Câmara, como deputado) - disse Assumção.

Ele nega ter distorcido as informações e comentou que twittou sobre todos:

- Eu ia colocando o que eles falaram. Esse é um hábito meu desde que percebi que estava procrastinando a votação da PEC 300. O Vaccarezza (Cândido Vaccarezza, líder do governo na Câmara) entregou o papel com a cópia do que eu escrevi. Os líderes combinaram, através do Vaccarezza, de abafar todas as PECs, de só votar depois das eleições.

Policiais pressionam para que PEC seja votada

Temer encerrou a reunião, condenando a atitude do deputado, chamando-o de "novato" e acrescentando que a atitude dele demonstrava que Assumção não tinha condições para participar da reunião de debates. No início da reunião, assessores avisaram a Temer que o deputado estaria gravando o encontro usando o celular. O presidente pediu que ele não fizesse isso.

- O Temer insinuou que eu estava gravando (com celular), no início da reunião, mas eu estava é twittando - disse o deputado.

Indagado se criaria uma regra para que os deputados não levassem celulares às reuniões, Temer afirmou:

- Pode até levar celular. É só ter a delicadeza de não gravar. Isso é coisa de araponga.

Assim que deixou a reunião, Assumção se reuniu com os representantes dos que pressionam para a votação da PEC 300, para relatar o que ocorreu.

Os policiais vêm pressionando a Câmara a finalizar a votação da PEC 300, iniciada em plenário em março, com manifestações nos corredores da Casa e pressão aos deputados. Na semana passada, eles ocuparam as galerias da Câmara e a situação ficou bastante tensa, com possibilidade inclusive de confronto físico, obrigando os líderes e o presidente em exercício, Marco Maia (PT-RS), a articular um acordo para votações.


Fonte: O Globo

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