sexta-feira, 27 de novembro de 2009

E o Brasil avança, segundo a revista Economist


A famosa revista semanal inglesa aponta que o nosso potencial começa a ser valorizado pelo resto do globo, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. Ao lado da New Yorker – a semanal da década de 1920 –, a Economist é uma das publicações mais influentes da nossa época. E, para a surpresa de muitos brasileiros (mas não de todos), revolveu dedicar uma capa inteira ao nosso País, fora um “relatório” sobre o que chamou de “a maior história de sucesso da América Latina”.

Com letras garrafais, declara: “O Brasil decola” – ilustrando essa frase com uma vista do Rio de Janeiro, em que o Cristo Redentor aparece ejetado de uma plataforma, fazendo as vezes de foguete (ou de ônibus espacial), espalhando luz e calor para todo lado. É o Brasil se “descolando” da América Latina, para ingressar no chamado “mundo desenvolvido”? Em seu editorial, a Economist relembra que, quando a denominação BRICs surgiu (2003), para designar as novas economias que iriam “dominar” o mundo, o “B”, de Brasil, destoava… Seis anos depois, nosso País não é a China, mas foi o último a entrar na crise de 2008 (e o primeiro a sair dela).

Sua economia volta a crescer a uma taxa de 5% ao ano e já existem previsões que colocam o Brasil como a “quinta potência mundial”, em 2014 (ultrapassando França e Inglaterra). A Economist ainda elogia Lula, por haver diminuído a desigualdade em seu governo, enquanto associa esse “futuro auspicioso” a uma Copa do Mundo (daqui a cinco anos) e uma Olimpíada (em 2016).

A Economist reconhece que o “sucesso” recente do nosso País não é de hoje, remontando, na verdade, a medidas tomadas na década de 1990. Quando a inflação foi vencida, através do Plano Real (1994), e passos foram dados na direção de leis, como a de responsabilidade fiscal (2000), onde, em tese, não se gasta mais do que se arrecada em estados e municípios. A Economist ainda aponta a autonomia do Banco Central e suas metas inflacionárias como essenciais, indicando que o sistema bancário brasileiro seguiu uma linha mais conservadora (o que surpreendentemente nos poupou da crise do subprime). A economia brasileira ainda se abriu para o comércio mundial, atraiu investidores externos e se fizeram as privatizações.

No rastro disso tudo, surgiram verdadeiras multinacionais: algumas estatais, como Petrobras, Vale e Embraer; outras “empresas privadas”, como a Gerdau e o grupo JBS-Friboi. Mais investimentos, então, foram atraídos por um “pujante mercado interno”, formado por uma “ascendente classe média”. Para completar, o Brasil, diz a Economist, vem fortalecendo suas instituições políticas e consolidando uma “imprensa livre”, que fiscaliza o poder (embora nem toda a corrupção seja, devidamente, punida…). Julio Daio Borges é o editor do Digestivo Cultural.






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