quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sobe para 33 número de mortos pela violência no Rio de Janeiro

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Operações policiais em busca de supostos criminosos que tenham ligação com a violência do fim de semana no Rio de Janeiro, quando um helicóptero policial foi derrubado, resultaram em mais sete mortes nesta quarta-feira, elevando para 33 o número de vítimas na cidade desde sábado.


Policiais militares entraram em confronto durante a madrugada com supostos traficantes no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, na zona norte, resultando na morte de três criminosos armados que dispararam contra os policiais, informou a polícia.

"Era uma operação desencadeada com o objetivo específico de buscar e prender criminosos que tenham ligação direta ou indiretamente com a quadrilha que derrubou o helicóptero da PM no fim de semana", disse por telefone o major Oderlei Santos, porta-voz da Polícia Militar.

Mais três suspeitos foram mortos pela polícia em outra operação com o mesmo objetivo no Morro Santo Amaro, na zona sul da cidade, e a polícia também matou um suspeito chefe do tráfico de drogas no Morro dos Prazes, em Santa Teresa, na região central, informou a Polícia Militar.

Outras operações estão em andamento nesta quarta-feira em favelas da cidade, numa tentativa de encontrar os responsáveis pelo incidente de sábado, quando um helicóptero da PM foi derrubado por tiros de traficantes durante ação policial no Morro dos Macacos, matando três dos seis tripulantes.

A maior dessas operações foi realizada na Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, na zona norte, onde três suspeitos ficaram feridos em confronto com a polícia e outros dois foram presos.

Desde o início da escalada da violência, após um conflito entre traficantes de facções criminosas rivais e a polícia no Morro dos Macacos, ao menos 33 pessoas morreram na cidade, incluindo três inocentes mortos num suposto ataque de traficantes e 27 suspeitos, de acordo com a polícia.

Moradores da favela Morro São João, vizinha ao Morro dos Macacos, disseram na noite de terça-feira que foram forçados a deixar suas casas para fugir de uma possível invasão de traficantes, após troca de tiros entre criminosos de facções rivais.
De acordo com a polícia, não houve qualquer registro de confronto entre traficantes e policiais no local. No entanto, o major Santos reconheceu que "há um clima de tensão no ar".

"O jeito é ficar aqui embaixo, todo mundo está com medo de voltar pra casa, é melhor ficar na rua", disse a jornalistas um comerciante e morador da área, que pediu anonimato.

TURISMO

Investigações da polícia fluminense indicaram que a ordem de invasão ao Morro dos Macacos que deu início à onda de violência teria partido do presídio federal de Catanduvas, no Paraná, onde estão presos chefes do tráfico de drogas no Rio.

Apesar de o Ministério da Justiça ter negado essa informação, o secretário estadual de Administração Penitenciária, Cesar Monteiro, voltou a afirmar que detentos foram os responsáveis pelo ataque.

"Nosso sistema não prevê isolamento pleno... Essa comunicação é possível de ser feita durante as visitas íntimas, não há incomunicabilidade de presos por longos prazos", disse ele a jornalistas.

A onda de violência na cidade nos últimos meses despertou preocupações internacionais quanto à realização dos Jogos Olímpicos de 2016, apenas duas semanas após o Rio ter vencido a concorrência de Chicago, Madri e Tóquio na eleição do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Para o ministro do Turismo, no entanto, os incidentes no Rio não devem prejudicar a vinda de turistas estrangeiros ao Brasil nos próximos meses.

"Não adianta esconder o sol com a peneira. Temos uma imagem mundial positiva e ganhamos projeção. A violência não é um problema do Rio, é das grandes metrópoles", disse a jornalistas durante visita à cidade o ministro Luiz Barretto.

Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu uma ajuda de 100 milhões de reais para reforçar a polícia do Rio, de acordo com o governador Sérgio Cabral.


Por Pedro Fonseca

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