sábado, 3 de outubro de 2009

A história das chacinas de Cunhaú e Uruaçu.

Em 16 de junho de 1645, o Pe. André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por 200 soldados holandeses e índios potiguares. Os fiéis estavam participando da missa dominical, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú - no município de Canguaretama (RN).


Segundo a história oficial, a chacina foi motivada pela intolerância calvinista dos invasores que não admitiam a prática da religião católica.

Era um domingo e o Pe. André iniciava a celebração na pequena igrejinha de Cunhaú. Após a elevação da hóstia, foram fechadas todas as portas da Igreja e se deu início à terrível carnificina. Foram cenas de grande atrocidade: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelos holandeses com ajuda dos tapuias e potiguares.

Três meses depois aconteceu o martírio de mais 80 pessoas, e sempre pelas mãos dos calvinistas holandeses. Entre elas, estava o camponês Mateus Moreira, que teve o coração arrancado pelas costas, enquanto repetia a frase: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento". Isso aconteceu na Comunidade de Uruaçu, em São Gonçalo do Amarante (a 18 km de Natal).

Também desta vez tudo aconteceu sob o comando de Rabe (personagem bastante conhecido em Cunhaú por semear ódio e destruição por onde passava), ajudado pelo chefe potiguar Antônio Paraopaba.

Os índios já tinham sido avisados das intenções dos dois e lá estava o chefe potiguar com os seus comandados: mais de duzentos índios, bem armados.

Logo que desceram dos batéis, os dois ordenaram aos moradores que se despissem e se ajoelhassem. A um sinal dado por eles, os índios, que estavam emboscados, saíram dos matos e cercaram os indefesos colonos.

Teve início, então, a chacina descrita com impressionante realismo pelos cronistas portugueses. "Começaram a dar tão desumanos e atrozes tormentos aos homens que já muitos dos que padeciam tomavam por mercê a morte.

Mas os holandeses usaram da última crueldade entregando-os aos tapuias e potiguares, que ainda vivos os foram fazendo em pedaços, e nos corpos fizeram anatomias incríveis, arrancando a uns os olhos, tirando a outros as línguas e cortando as partes verendas e metendo-lhas nas bocas..." (Santiago).

O processo de beatificação foi concedido pela Santa Sé no dia 16 de junho de 1989. Em 21 de dezembro de 1998, o papa João II assinou o decreto reconhecendo o martírio de 30 brasileiros, sendo dois sacerdotes e 28 leigos.



Fonte: Jornal De Fato

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